Paralimpíadas de Tóquio: Uma estreia de sucesso do Parataekwondo

Por Giulia Ciccarelli / CBTKD

Ontem (05), aconteceu o encerramento dos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, com uma participação de sucesso, o Brasil encerra em sétimo lugar no quadro de medalhas, além da maior campanha de todos os tempos, o atingimento de todas as metas, como a participação de mulheres, participação de atletas jovens, participação de atletas de classes baixas promoveu um evento mais do que inédito, criando já uma expectativa de sucesso para os próximos jogos Paris 2024 e Estados Unidos em 2028.  

A delegação brasileira foi composta por 259 atletas (incluindo Atletas-guia, Calheiros, Goleiros e Timoneiro), além de comissão técnica, médica e administrativa, totalizando 435 pessoas. Dos atletas com deficiência, 68 eram das chamadas “classes baixas” (com deficiência severa). Foram 42 homens e 26 mulheres. Trinta e nove participantes tinham menos de 23 anos, cerca de 17% do total da equipe nacional paralímpica.  

Em nenhuma outra edição a missão brasileira havia conquistado tantas medalhas de ouro. As 22 medalhas de ouro obtidas na capital japonesa superaram as 21 de Londres 2012. No número total de pódios, o Brasil igualou a marca alcançada no Rio 2016. Foram 72 medalhas no Japão (22 ouros; 20 pratas e 30 bronzes).

Equipe do Parataekwondo brasileiro em Tóquio.

O encerramento dos jogos foi uma mistura de músicos e dançarinos, proporcionando sons e imagens representando a diversidade, houve o brilho de cada ser humano presente, criando por fim uma “cidade em que as diversidades brilham”.

O Parataekwondo que fez uma estreia de inédita conquistando três medalhas para os três atletas, obteve um sucesso mais do que especial Nathan Torquato de 20 anos sagrou-se campeão da categoria até 61kg, classe K44, conquistando o ouro paralímpico, Silvana Fernandes conquistou a medalha de bronze na disputa até 58kg da categoria K44 e Debora Menezes conquistou a medalha de prata na disputa a cima de 58kg da categoria K44.

“Foi uma experiência incrível desde que eu comecei o esporte eu tinha o sonho de participar de uma paraolimpíada, hoje eu vivo um sonho realizado porque sai com uma medalha no peito. Esse sonho não acaba por aqui, já almejo Paris 2024 com mais resultados. Gostaria de agradecer a todos que me apoiaram e me ajudaram a alcançar esse sonho, minha equipe, Confederação Brasileira de Taekwondo – CBTKD e o Comitê Paralímpico – CPB que investiram muito na gente e nos ajudaram a chegar ate aqui.” Comenta Silvana Fernandes medalhista de bronze.

Segundo o coordenador técnico Rodrigo Ferla foi fundamental a união da equipe, através dela criou-se uma sincronia entre atletas e a equipe técnica isso fez diferença em Tóquio. A responsabilidade e o compromisso junto com a felicidade da estreia da modalidade trouxeram um ambiente sem pressão e os atletas sentiram isso. Através desse trabalho de equipe o reconhecimento veio, o parataekwondo brasileiro consagrou se em primeiro lugar do mundo.

Para Alan Nascimento, técnico, que foi um dos precursores do Parataekwondo, é gratificante ver um trabalho que começou a ser desenvolvido em 2014 por ele e em 2017 a Confederação Brasileira de Taekwondo assumiu,  juntos construímos um cenário de sucesso, foi um ciclo glorioso pra gente na verdade, conseguimos trazer resultado em todas as competições de grande porte, jogos panamericanos, campeonato mundial e agora nos jogos paralímpicos conseguimos encerrar o ciclo, como País numero um no ranking mundial da WT isso e gratificante. A equipe teve um bom planejamento e na perspectiva de treino buscou englobar o apoio psicológico que é fundamental para entender o momento que cada atleta está passando na vida pessoal dele, além de sempre estar em contato com a equipe pessoal de cada atleta e isso tem trazido resultados mais que positivos. Para Alan a união da equipe técnica foi fundamental para o sucesso o vinculo de amizade e respeito que os profissionais criaram foi a fórmula para o sucesso.    

Para Ferla “O apoio da Confederação de Taekwondo Brasileira e do Comitê Paralímpico – CPB foi fundamental para o sucesso de um trabalho que começou em 2017 e hoje comemoramos essas vitorias, nós sabíamos desde do início que tínhamos três chances reais de medalhas e isso apenas se concretizou.”  

“Pra mim foi uma experencia incrível levar uma medalha inédita para o Brasil, de colocar o Brasil no topo, dando cada vez mais visibilidade e reconhecimento a nossa modalidade, me sinto muito orgulhosa e muito feliz por toda a trajetória, estou muito feliz por tudo que tem acontecido e que venha mais desafios.”, comenta Debora Menezes medalhista de prata.

O trabalho realizado pelos técnicos Rodrigo Ferla, Alan Nascimento e fisioterapeuta Elisa Pilarski foi mais do que estratégico os atletas de apoio selecionados com semelhanças físicas e técnicas dos adversários criaram a preparação para que os atletas estivessem em perfeito alinhamento. A união dos três atletas em um mesmo tatame, porem todos com treinos individualizados prezando a extrema eficácia e melhoramento tático dos atletas foi o diferencial estratégico que levou o paratakwondo a conquista de três medalhas. técnica de peso, estilo de luta baseado nos adversários que nossos atletas iram enfrentar.

Para Elisa o trabalho feito para prevenção de lesão e fortalecimento muscular foram essenciais, o trabalho formulado desde do início com a equipe de cada um, fez com que os atletas chegassem em Tóquio sem lesão, tanto que o resultado sem lesão e focados.

“Eu vivi uma experiência inacreditável, só posso agradecer todo trabalho da CBTKD e do Comitê Paralímpico – CPB, porque fizemos história aqui em Tóquio, esse e só o começo e já estou ansioso para Paris 2024, vamos em busca de mais medalhas e fazer mais história.” Comenta Nathan Torquato medalhista de ouro.