Tóquio 2020: Nação Bolsa Atleta encerra Olimpíadas com melhor campanha do Brasil na história

Por Rede do Esporte | Crédito: Thiago Diz/COB

O Brasil deixa os Jogos Olímpicos de Tóquio com a melhor campanha na história do megaevento esportivo. O país conquistou 21 medalhas nos 19 dias de competições, em 13 modalidades diferentes, com sete ouros, seis pratas e oito bronzes. Um resultado que significa a 12ª colocação no quadro de medalhas, tanto na contagem de ouros quanto no total de pódios. Até então, a melhor campanha registrada havia sido em casa, no Rio, em 2016, com sete ouros, seis pratas e seis bronzes.

Em comum a 19 dos 21 pódios do país (90,45), a presença do Bolsa Atleta, programa de patrocínio individual do Governo Federal Brasileiro. A conexão entre os medalhistas e os repasses federais só não esteve presente no ouro do bicampeonato olímpico do futebol, porque o masculino não integra o Bolsa Atleta, e na prata de Rayssa Leal no skate street, porque a jovem de 13 anos ainda não tem idade suficiente para integrar o programa, que é de 14 anos.

Investimento

Segundo um levantamento da área técnica do Ministério da Cidadania, no ciclo entre os Jogos Rio 2016 e Tóquio 2021, o grupo de medalhistas das modalidades individuais e em dupla, responsável por 19 das 21 medalhas, recebeu R$ 8,3 milhões de forma direta, via Bolsa Atleta.  Quando se leva em conta a relação histórica dos esportistas com o programa, desde 2005, o montante investido sobe para R$ 12,7 milhões.

A delegação brasileira como um todo em Tóquio contou com 302 titulares, inscritos em 35 modalidades. Desses 302, 242 são atualmente integrantes do Bolsa Atleta, ou 80% da delegação. Se o futebol masculino, que não integra o programa, for retirado da conta, o percentual sobe para 86%. Em 19 das 35 modalidades com representantes nacionais em Tóquio, 100% dos atletas pertencem ao Bolsa Atleta.

“O Governo Federal é o maior apoiador do esporte de alto rendimento no Brasil, com R$ 745 milhões investidos todos os anos por meio do Bolsa Atleta, da Lei de Incentivo ao Esporte e da Lei das Loterias. Seguiremos com essa postura de parceria e investimento”, ressaltou o ministro da Cidadania, João Roma, que foi o representante do Governo Federal na cerimônia de abertura dos Jogos de Tóquio.

Ineditismos

A campanha nacional teve uma série de ineditismos. Na ginástica artística, uma das 19 modalidades da delegação nacional em que 100% dos integrantes eram bolsistas, Rebeca Andrade conquistou as duas primeiras medalhas femininas do esporte, com uma prata no individual geral e um ouro no salto. Outro pódio sem precedentes no esporte nacional foi a medalha de bronze na dupla do tênis feminino, conquistada por Laura Pigossi e Luisa Stefani.

No boxe, o Brasil protagonizou a melhor campanha de sua história, com um ouro, uma prata e um bronze, superando até a previsão do treinador chefe da equipe, Matheus Alves, que esperava que o país chegasse a uma final e conquistasse um bronze.

O título olímpico veio dos punhos de Hebert Conceição, que aplicou um dos nocautes mais impressionantes dos Jogos, o primeiro em uma final desde a edição de 1980, para virar uma luta que parecia perdida contra o ucraniano Oleksandr Khyzhniak, até então imbatível entre os médios. Além de Hebert, Beatriz Ferreira ficou com a prata e Abner Teixeira levou o bronze. Os três integram o Bolsa Atleta.

“Com 15 anos comecei a receber o Bolsa Atleta e era a minha única e principal fonte de renda. Eu passei a conseguir focar só nos treinamentos. O programa apoia, mata a fome e alimenta o sonho de muitos jovens brasileiros e isso é importante”, comentou Hebert.

Já no Estádio Olímpico de Tóquio, Alison dos Santos brilhou na prova mais rápida da história dos 400m com barreiras já realizada. Para se ter uma ideia, os três atletas que subiram ao pódio seriam campeões olímpicos em qualquer uma das edições da prova realizadas antes de Tóquio. Alison ficou com o bronze e bateu o recorde sul-americano pela sexta vez em 2021. Na mesma noite, Thiago Braz voltou a brilhar no salto com vara. O campeão olímpico dos Jogos Rio 2016 acrescentou um bronze à sua coleção. Ambos integram a categoria Pódio. 

Judô

O Judô manteve a tradição de subir ao pódio em todas as edições de Jogos Olímpicos de forma ininterrupta desde 1984. Os protagonistas em Tóquio foram Daniel Cargnin, bronze na categoria -66kg, e Mayra Aguiar. A bicampeã mundial chegou ao terceiro bronze olímpico seguido na categoria -78kg. Daniel e Mayra também são da categoria Pódio do Bolsa Atleta.

Os judocas Daniel Cargnin e Mayra Aguiar.

“O apoio para o atleta, não só de alto rendimento, é essencial. Isso incentiva muito a pessoa a continuar. Eu entrei muito cedo no Bolsa Atleta, ainda na categoria Estudantil, depois passei para a Nacional, depois para a Pódio. Eu vivi uma evolução, sabe? É uma coisa que sempre me ajudou a me manter no Judô. O alto rendimento é difícil, mas com esse apoio eu me sentia tranquilo para treinar, ter um plano de saúde bom. Isso tudo desencadeia coisas positivas para um atleta chegar lá”, afirmou Cargnin.

Novidades no pódio

Nas modalidades recém incluídas no programa olímpico e, por consequência, no Bolsa Atleta, o país brilhou nas pistas de skate e nas ondas. No surfe, Ítalo Ferreira conquistou o ouro na competição disputada na praia de Tsugaraki, em Ichimoya, a 100km de Tóquio. Nas pistas de street e park na região de Ariake, foram três pódios no skate, com as pratas de Rayssa Leal e Kelvin Hoefler, no street, e de Pedro Barros, na categoria park.

Premiação

O Comitê Olímpico do Brasil anunciou que vai oferecer aos medalhistas olímpicos as maiores premiações em dinheiro já distribuídas pela entidade: são R$ 250 mil aos campeões em provas individuais, R$ 500 mil para duplas e R$ 750 aos esportes coletivos. Em cada categoria, os vice-campeões vão receber 60% deste valor e os medalhistas de bronze, 40%. 

Sem casos de Covid

A Missão do Brasil em Tóquio também foi bem sucedida nos protocolos sanitários assumidos por atletas, treinadores e oficiais. Nenhum caso positivo foi registrado na delegação brasileira durante os Jogos. E, mesmo com boa parte dos integrantes vacinada, os cuidados com a saúde seguiram sendo os mesmos: testagem diária obrigatória e monitoramento dos riscos pela equipe médica, entre outras medidas.

“E o nosso protocolo também seguirá com o monitoramento por 14 dias no retorno ao Brasil. Vamos monitorar a nossa delegação e ver se há algum sintoma porque, querendo ou não, todos vão enfrentar uma viagem de mais de 24 horas para voltar ao Brasil”, explicou a infectologista Beatriz Perondi, que integrou a Missão brasileira pela primeira vez e é especialista em Medicina do Exercício e do Esporte, além de coordenadora da área de situações extremas do Hospital de Clínicas de São Paulo.