Hoje, 28 de outubro, é o Dia Mundial do Judô

Por Revista Master | Arte: Revista Master

O Dia Mundial do Judô é celebrado nesta quinta-feira (28). Criado pelo japonês Jigoro Kano, é o esporte que mais rendeu medalhas olímpicas para o Brasil. Ao todo, são 24 (quatro ouros, três pratas e 17 bronzes).

A modalidade une técnicas de diversas outras vertentes marciais e representa o caminho para a utilização eficaz das forças físicas e espirituais.

Seus principais objetivos são fortalecer o físico, a mente e o espírito de forma integrada, além de desenvolver técnicas de defesa pessoal.

É um dos desportos mais adorados no mundo, com mais de 20 milhões de praticantes. No Brasil, estima-se que há 2 milhões de adeptos. 

História

O Judô nasceu em 1882. Na época, Jigoro Kano sentia-se inferior na infância, pois tinha pouca força e apenas 1,54 m. Aos 18 anos, quando estudava na Universidade Imperial, de Tóquio, começou a treinar Jujutsu atraído pela perspectiva de que um homem frágil pudesse derrubar alguém mais forte. No entanto, teve dificuldade de encontrar um mestre que satisfizesse seus conhecimentos.

Na época, as artes marciais japonesas, principalmente, o Jujutsu, sofriam um declínio devido à proibição, em 1876, da utilização de espadas pelos samurais. Além disso, essa arte era específica para homens e suas regras não eram tratadas pedagogicamente ou padronizadas.

Em busca de conhecimento, Kano começou a treinar com Teinosuke Yagi. Depois, com Hachinosuke Fukuda e Masatomo Iso, da escola Tenshin Shinyo Ryu. Aprendeu também o Kito Ryu com o mestre Tsunetoshi Iikubo.

Em fevereiro de 1882, inaugurou a primeira escola de Judô do mundo, intitulada de Kodokan (Instituto do Caminho da Fraternidade). Seus primeiros alunos foram Tsunegiro Tomita, Yoshiaki Yamashita, Shiro Saigo e Sakugiro Yokoyama. O Kodokan ficava no segundo andar de um templo budista, e no início possuía apenas 12 tatames.

A metodologia de ensino adotada por Jigoro Kano incluía o randori, kata, exercícios metódicos de educação motora, treinamento intelectual e estudos sobre cultura moral.

Procurando encontrar explicações científicas aos golpes, baseado em leis de dinâmica, ação e reação, selecionou e classificou as melhores técnicas dos vários sistemas de Jujutsu, juntamente com os imigrantes japoneses, dando ênfase ao ataque (pontos vitais), às lutas de solo do estilo Tenshin-Shinyo-Ryu e aos golpes de projeção do estilo Kito Ryu.

Inseriu princípios básicos de equilíbrio, de gravidade e do sistema de alavancas nas execuções dos movimentos lógicos, e estabeleceu normas para tornar o aprendizado mais fácil e racional.

Segundo Kano, a atividade física deveria servir, em primeiro lugar, para a educação global dos praticantes. Obviamente, os mestres de Jujutsu não aceitaram a ideia. Para eles, o verdadeiro espírito do Jujutsu era o shin-ken-shobu (vencer ou morrer, lutar até a morte). O Judô foi idealizado para ser praticado por homens e mulheres, de qualquer idade, o que atraiu muitos adeptos.

Em 1886, a Polícia Metropolitana de Tóquio realizou uma competição para escolher o sistema marcial que seria utilizado pela corporação. Representantes de Jujutsu, Kenjutsu e de diversos outros estilos se apresentaram para os combates, como o grupo do mestre Hikosuke Totsuka, do Totsuka-Ha Yoshin Ryu, feroz adversário do Kodokan.

Totsuka era considerado o maior mestre de Jujutsu do último Shogunato, anterior à Restauração Meiji.  Mas, todas as atenções estavam concentradas nos representantes do Kodokan. Em junho de 1886, no santuário Yayoi, os combates finalmente se desenrolaram. Nessa época, não existiam regras competitivas. O combate só terminava quando um dos lutadores não pudesse mais continuar.

Dos 15 combates disputados, o Kodokan venceu 12 lutas, empatou uma e perdeu duas. Com uma filosofia já bem fundamentada e aceita pela população japonesa, o Judô foi incluído oficialmente nas escolas japonesas. Mais tarde, Kano organizou uma pedagogia para ensino de Judô chamada Gokio, com a ajuda dos mestres Yoko-Yama, Yamashita, Nagaoka e Iitisuka, no qual as técnicas mais perigosas foram eliminadas.

O Gokio foi revisto apenas uma vez, em 1920, por vários mestres da época, permanecendo inalterado até os dias de hoje. Nesta fase, o Judô se consolidou no Japão.

Por outro lado, Kano sabia que, para que o Judô se difundisse, seria necessário partilhar seus conhecimentos com o mundo, foi então que, a partir de 1889, começou a percorrer a Europa, realizando conferências e demonstrações. Desse período, surgiram nomes como Gunji Koisumi, Ishiguro, Kawaishi, Yamashita e Mitsuyo Maeda (Conde Koma), que ajudaram a implantar o Judô na Grã-Bretanha, França, Bélgica, Espanha, Estados Unidos e Brasil.

Em 1932, Jigoro Kano levou 200 alunos aos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Os competidores fizeram uma demonstração que aguçou a curiosidade do público.

Em 1964, o Judô integrou os Jogos Olímpicos de Tóquio como modalidade masculina e, graças à persistência da americana Rusty Kanokogi e de outras atletas, o Judô feminino tornou-se uma modalidade olímpica em 1988. Hoje, também integra os Jogos Paralímpicos e os Jogos Olímpicos Especiais.

O engrandecimento da essência nos conduz ao caminho, via “Ju” (suave) e “Do” (perfeição). Jigoro Kano morreu em 04 de maio de 1938, aos 77 anos, quando voltava do Cairo, onde estava participando da Assembleia Geral do Comitê Internacional dos Jogos Olímpicos, deixando não somente um esporte, mas uma filosofia de vida.

Após sua morte, surgiram as primeiras federações em vários países, ocorrendo o primeiro Campeonato Europeu em 1951, em Paris, no qual foi fundada a Federação Internacional de Judô, que teve como primeiro presidente Risei Kano, filho do fundador.

Parabéns, judocas!