Dos 301 atletas inscritos pelo COB nos Jogos Olímpicos de Tóquio, 240 integram o Bolsa Atleta (79,7%)

Por Rede do Esporte | Crédito: COB

Após as convocações finais das seleções masculina e feminina de handebol, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) divulgou oficialmente, nesta terça-feira (13.07), que a delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de Tóquio terá 301 atletas, em 35 modalidades. São 161 homens (53,5%) e 140 mulheres (46,5%). É a maior delegação para uma edição de Jogos fora de casa da história. Antes, a marca pertencia aos Jogos de Pequim, na China, em 2008, com 277 atletas.

O time reúne 31 medalhistas, com 18 campeões olímpicos.  A cerimônia de abertura será daqui a dez dias, em 23 de julho. O evento vai reunir mais de 11 mil atletas, de estimados 206 países, em 17 dias de competições. A delegação brasileira conta, ainda, com 18 atletas substitutos.

A judoca Mayra Aguiar é uma das convocadas para as Olimpíadas de Tóquio.

Do grupo dos 301 titulares, 240 (79,7%) fazem parte atualmente do Bolsa Atleta, o programa de patrocínio individual do Governo Federal Brasileiro, executado pela Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania. O percentual é ainda mais expressivo, e chega a 86% da delegação, se o cálculo não leva em conta o futebol masculino, que não integra a ação.

O investimento direto do Governo Federal nos 240 bolsistas é de R$ 55,8 milhões no ciclo entre os Jogos Rio 2016 e Tóquio 2021. Levando em conta os repasses para as 35 modalidades em que haverá presença de brasileiros, o aporte do Bolsa Atleta ultrapassa os R$ 292 milhões, recursos que foram suficiente para garantir a concessão de mais de 16 mil bolsas nos últimos quatro anos.

“Os números são retrato do investimento permanente do Governo Federal Brasileiro no esporte de alto rendimento do Brasil. O Bolsa Atleta premia o mérito esportivo, o resultado. Acompanha o atleta em todas as fases da carreira, da base ao altíssimo rendimento. E permite que ele se dedique exclusivamente aos treinos, à alimentação adequada, às viagens, à compra de equipamentos “, afirmou o secretário especial do Esporte do Ministério da Cidadania, Marcelo Magalhães.

Em 19 das 35 modalidades com presença nacional, 100% dos atletas do Time Brasil em Tóquio são integrantes do Bolsa Atleta. São elas: badminton, canoagem slalom, canoagem velocidade, ciclismo BMX, ciclismo Mountain Bike, esgrima, ginástica artística, hipismo de adestramento,  levantamento de peso, maratona aquática, pentatlo, remo, saltos ornamentais, surfe, taekwondo, tênis de mesa, tiro com arco, tiro esportivo e vôlei de praia.

A categoria do Bolsa Atleta com maior número de integrantes é a Pódio, a principal do programa, voltada para atletas que se colocam entre os 20 melhores do mundo em suas modalidades e que reúnem resultados expressivos em competições internacionais. São 88 atletas dessa categoria, que prevê repasses de R$ 5 mil a R$ 15 mil mensais para os atletas. Outros 62 estão na categoria Olímpica, além de 67 na Internacional e 23 na Nacional.

Protocolos e segurança

A realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio é cercada de protocolos de segurança. Antes do embarque, na chegada ao Japão e nos primeiros dias no país asiático, atletas, técnicos, dirigentes e jornalistas são submetidos a diversos testes de Covid-19 e são monitorados via diversos aplicativos.

“Dos 301 atletas, 271 foram vacinados com primeira dose e 226 com a segunda dose, ou seja 75% da nossa delegação está vacinada. Isso nos traz segurança. Além de todo material de proteção, o COB trouxe 6 mil testes de antígeno para o Japão. Estamos usando em pessoas que chegam próximo à delegação, como motoristas e equipe de alimentação, por exemplo”, disse a doutora Ana Carolina Corte, coordenadora de serviços médicos do COB.

“Planejamos a Missão para Tóquio durante anos. O fuso horário e os hábitos alimentares eram um desafio, mas sequer imaginávamos que teríamos um desafio ainda maior com a pandemia. É importante ter os atletas em sua melhor performance possível, mas tê-los seguros é essencial”, afirma Marco La Porta, vice-presidente do COB e Chefe de Missão em Tóquio. “Antigamente, chegávamos aos Jogos com cinco a sete modalidades com chances de medalha. Hoje, passamos de dez. Estamos ansiosos para ver nossos atletas atingirem suas melhores performances”, completa.

Desafio e recompensa

Em sua terceira edição olímpica, a mineira Ana Sátila, de 28 anos, foi uma das primeiras atletas a chegar a Tóquio. Integrante da categoria Pódio do Bolsa Atleta, ela afirma que o período de preparação diante da pandemia foi cheio de incertezas, mas que estar em Tóquio e viver a ansiedade por competir é a síntese de um processo recompensador.

“Foi um período desafiador. Precisamos treinar demais em casa, de forma improvisada. Ter chegado aqui mostrou que a gente conseguiu vencer essas etapas, e conseguimos nos cuidar. É uma felicidade chegar aqui depois do último teste de saúde. A gente sente até um pouco de liberdade. Agradeço demais todo o apoio que tive para me manter treinando e focada”, afirmou a atleta, que disputará a prova caiaque individual (K1) na canoagem slalom.