Tóquio 2020: Daniel Cargnin é bronze e garante primeiro pódio ao Judô brasileiro nos Jogos Olímpicos

Por Confederação Brasileira de Judô | Crédito: Gaspar Nóbrega/COB

O Judô brasileiro mantém sua tradição de subir ao pódio em todas as Olimpíadas desde Los Angeles 1984. Neste domingo, a Nippon Budokan foi o palco de uma exibição impecável do meio-leve brasileiro Daniel Cargnin que, em sua primeira participação olímpica, conquistou a medalha de bronze em Tóquio 2020. Ele venceu todas as três lutas das premliminares e só parou na semifinal diante do japonês Abe Hifume, que se tornaria campeão olímpico ao final do dia. Na luta pelo bronze, Cargnin projetou Baruch Shmailov, de Israel, e segurou o waza-ari por dois minutos para faturar a medalha. 

Cargnin é bronze.

Essa foi a 23ª medalha do judô em Jogos Olímpicos. É o esporte olímpico em que o Brasil tem mais medalhas. A de Daniel, logo no segundo de competição, representa ainda o sucesso no trabalho da CBJ nas categorias de base e no alto rendimento, integrado com os clubes e Federações, resultando num pódio olímpico de um judoca que, no Rio 2016, foi apoio do titular olímpico e que, neste ciclo, foi trabalhado para chegar com chances reais de pódio nos Jogos. Com a medalha de bronze no berço do Judô, Daniel Cargnin firma-se, hoje, como uma das grandes revelações do Judô brasileiro para 2020. 

O caminho até o pódio

Estreante em Jogos Olímpicos, Cargnin pisou no tatame histórico da Nippon Budokan com bastante confiança e foi para cima de seus adversários. Na primeira luta, venceu o egípcio Mohamed Abdelmawgoud, número 14 do ranking, com um ipponzaço no Golden score.  

Nas oitavas, encarou um adversário mais duro, o medalhista em mundial, Denis Vieru, da Moldávia. Atento nos movimentos de defesa e agressivo, Daniel encaixou a técnica de projeção e marcou o waza-ari vencedor no tempo extra da luta.  

Nas quartas-de-final, o brasileiro encontrou um de seus maiores rivais, o italiano Manuel Lombardo, velho conhecido dos tempos de seleção júnior. Lombardo foi vice-campeão mundial um mês atrás, em Budapeste, e chegou aos Jogos como número um do mundo. O retrospecto dos dois, porém, era favorável a Daniel que tinha uma vitória em uma luta com o italiano na final do Grand Slam de Brasília, em 2019.  

Em Tóquio, novamente, Cargnin levou a melhor. Não deu espaço para Lombardo lutar, impondo um ritmo acelerado na luta e projetou o adversário a 10 segundos do fim do combate para garantir-se na semifinal em sua primeira participação olímpica.  

Para chegar à decisão, Daniel precisará passaria pelo bicampeão mundial Abe Hifume, do Japão. O brasileiro até começou bem o combate mas, em um descuido, deu espaço para o golpe perfeito que colocou Abe na grande final e jogou Cargnin para a disputa pelo bronze. 

Em sua última luta, o brasileiro encarou Baruch Shmailov, de Israel, e se motivou pelo retrospecto positivo contra ele para sair vitorioso mais uma vez. Daniel marcou um waza-ari no segundo minuto de luta e administrou bem a vantagem até o fim do combate para comemorar sua primeira medalha olímpica. O outro bronze do 66kg ficou com An Baul, da Coreia do Sul, que derrotou Lombardo. A prata ficou com Vazha Margvelashvili, da Geórgia, e o ouro foi para o anfitrião Abe Hifume. 

Sua irmã, Abe Uta, completou a dobradinha japonesa com um ouro no meio-leve feminino (52kg) ao imobilizar Amandine Buchard, da França, na final. Odette Giuffrida, da Itália, e Chelsie Giles, da Grã-Bretanha completaram o pódio. 

Nessa categoria, o Brasil foi representado por Larissa Pimenta, outra novata em Jogos Olímpicos e revelação das equipes de base do judô brasileiro. Na estreia, Larissa superou Agata Perenc, com um waza-ari no golden score, mas parou nas oitavas diante da campeã olímpica, Abe Uta. 

O Judô continua nesta segunda, em Tóquio, com Eduardo Katsuhiro Barbosa representando o Brasil no peso Leve (73kg). Preliminares a partir das 23h e finais às 5h, no horário de Brasília.