Da Redação | com informações de Marcelo Molina

 

Um dos principais precursores do Muay Thai no Brasil, Flávio Molina, falecido em 2009, em breve, ganhará as páginas de um livro. Enquanto a biografia não é publicada, mestres e amigos deram depoimentos sobre o trabalho do ícone.

Entre aqueles que o homenagearam estão Kim, Woo Jae Lee, Mestre Camisa, Rodney Américo, Reinaldo Evangelista, Carlos Fernandes, Flávio Cunha Lima, Manoel “Step”, Flávio Roberto Alves, Marcus Rezende e Carlos Eduardo Nogueira Loddo.

Molina divulgou o Boxe Tailandês, como era conhecido o Muay Thai, em todo o território brasileiro.  Quando praticou Taekwondo, já tinha experimentado algo próximo dessa luta.

Foi considerado o melhor representante de Muay Thai do Brasil pela sua extraordinária técnica e desempenho nos ringues. Além disso, organizou os primeiros campeonatos de Muay Thai no país, como o desafio Rio de Janeiro x Curitiba, Desafio RJ x SP (onde lutou contra um atleta de São Paulo, vencendo por nocaute técnico), Rio de Janeiro x Curitiba, os primeiros torneios cariocas, entre outros.

Criou também a primeira entidade oficial da modalidade, sendo o presidente da Associação de Muay Thai no Rio de Janeiro, e esteve na Embaixada da Tailândia para conseguir o apoio necessário para a divulgação do esporte.

Graduou inúmeros faixas pretas e formou os primeiros professores da modalidade, Nesta 1ª geração de Muay Thai do Brasil, estão Luis Alves, Narany, Paulo Nikolai, Jutu, Guere, Cocada, Eugênio Tadeu, Marco Ruas, Wandro Soares Ribeiro, Paulo Borracha, Márcio Sobral Machado, João Bosco, Eduardo Chaep, Budi, Wilson Negão, Flávio Roberto Alves, Manoel Stepp, Marinho, Ceará e Paulista.

Além de lutador de Muay Thai, operou como guarda-vidas e destacou-se no Taekwondo, Capoeira e Vale-Tudo Moderno, atual MMA. Faleceu em 19 de fevereiro de 1998, deixando um grande legado.

Depoimentos

Nélio Naja: "Eu fiquei mais restrito em Curitiba, mas o Molina saiu pelas cidades do país divulgando o Boxe Tailandês. A origem e a linhagem de cada lutador de Muay Thai passa por ele".   

Mestre Kim: “O Flávio era como um símbolo do Taekwondo. Todos o tinham como ídolo. Líder carismático, aluno e amigo especial. Ajudou muito a divulgar o TKD como esporte. Ele só queria saber de treinamento, treinava pesado e era muito inteligente. Para mim um ídolo e é com grande orgulho que falo dele. Um lutador que marcou o nosso coração!”  

Mestre Woo Jae Lee: “Admirava sua força de vontade, estava à frente de todos. Ele era muito simpático e obediente, sempre procurando novidades e buscando novas técnicas. Muito competitivo, não entrava para perder; tinha uma esquiva poderosa, principalmente quando o adversário atacava, era muito rápido no contra-ataque.  Uma característica forte nele era o Ban Tolho Tchagui. Foi um grande lutador”.

Mestre Camisa: “Flávio Molina era muito habilidoso, muito dedicado nas coisas que fazia; focado e centrado, conversamos e trocamos muitas informações. Sabia o que queria. Tinha interesse em desenvolver as tesouras, as alavancas, as quedas, rasteira, arrastões, todos os movimentos de queda; queria pegar também a parte das esquivas, bastante esquiva, era o que ele desejava. Além de um grande atleta, foi acima de tudo um grande ser humano, um coração muito bom. Pessoa do bem, muito boa; um grande vencedor”.  

Rodney Américo: “A maior característica do Molina era a velocidade. O pessoal conhecia a academia porque o adorava, era um marco; a Naja era famosa por ele estar lá, era a alma da academia; Molina tinha projeção, um ídolo que lutava bem, rápido, esperto, um cara com um carisma muito grande. A principal coisa foi que era um cara que marcou a época, marcou o TKD; com uma técnica apurada, uma inteligência para ensinar e pelo carisma que tinha. Ele liderava e o pessoal gostava dele de graça”.

Reinaldo Evangelista, o “Pelé”: “Era um cara muito versátil; não sei o que tinha, mas tudo que botava a mão no esporte dava certo; tinha conversado com ele devido à habilidade e agilidade que tinha, tanto com a perna direita quanto com a esquerda; percebi que seria um tremendo atleta de TKD. Nunca perdeu uma luta de TKD, tem um cartel invicto; a Confederação tá aí para comprovar que no TKD não tem registro de outro atleta ou lutador que não tenha perdido. Qualquer um perde e ganha, é a evolução do esporte, mas ele nunca perdeu. Cresceu no TKD assustadoramente e conseguiu coisa inédita que era pular faixa nas graduações, pelo grau de potencial. O respeito do Flávio Molina perante todos estes mestres coreanos era uma coisa maravilhosa, todo mundo o endeusava pela capacidade de aprender, de administrar as técnicas de pé e da mão. Ele se enquadrava dentro de um padrão tecnicamente muito bom, era bom em todos os padrões; mas a velocidade superava a dos outros atletas, como também a precisão e a força; tinha mais uma agravante, que era a técnica das duas pernas; a mesma potência, a mesma precisão que tinha na direita, apresentava na esquerda; isso dificultava muito os adversários”.

Flávio Cunha Lima: “Já o conhecia da Capoeira; um atleta de habilidades especiais, personalidade forte, flexível, guerreiro e muito carismático. O Flávio fazia uma Capoeira diferente, era um lutador que chamava atenção e chegou a contramestre; a sua capacidade cardiovascular era muito boa, um atleta. No campeonato de 78, em Brasília, me lembro da pressão que eu senti ao entrar para fazer a última luta e da força que o Molina me deu com palavras de incentivo. Foi um grande amigo e parceiro de treino”.

Carlos Fernandes (presidente da CBTKD): “Flávio Molina foi um dos maiores taekwondistas da sua época. Quando eu comecei a competir neste esporte, já era um consagrado lutador e ídolo. Tive a oportunidade de vê-lo lutar, mesmo depois de ele ter deixado o Taekwondo e abraçado outras lutas. Lutava com grande honra, como um guerreiro! É um nome histórico do nosso Taekwondo”.

Manoel “Step”: “Éramos fera no pé, mas na perna não tinha lutador igual ao Molina; ele ganhava tudo. A preparação física, força, etc. Me ensinou muitas coisas, não só de técnica, mas principalmente de vida. Sempre humilde. Dá saudade dele para caramba”.