Conheça os benefícios da flexibilidade nas artes marciais

Por Dr. Marcus Vinicius G. T. Azevedo* | Crédito da foto: Divulgação

Quem gosta de artes marciais, com certeza, sabe a importância dos treinamentos complementares, além de musculação, alimentação equilibrada e descanso no momento certo. Entretanto, devido à dificuldade de “ganhar” ou até mesmo não ter demanda na prática, você pode esquecer uma parte muito importante: a flexibilidade.

A capacidade de mexer certas articulações com apropriada amplitude de movimento é extremamente benéfica à prática das artes marciais e saúde em geral.

Treinar flexibilidade diminui as chances de lesões durante a realização de diversos movimentos. A maior amplitude de movimento significa que você criará melhores estratégias de toque muscular e qualidade do movimento.

A flexibilidade equilibra os grupos musculares.

De forma simplificada, a flexibilidade é a amplitude de movimento disponível em uma ou várias articulações. Pesquisadores afirmam que cada tipo de arte marcial tem padrões de flexibilidade específicos.

Benefícios da flexibilidade

Além disso, um programa de flexibilidade adequado pode trazer benefícios qualitativos e quantitativos, como diminuição do estresse, relaxamento muscular, autodisciplina, redução do risco de lesões e alívio de cãibras e dor muscular, ou seja, aumenta a eficiência do movimento.

Caso isso não ocorra, pode causar mais dano do que benefícios. É importante lembrar que grande parte dos problemas nas artes marciais é causada por questões relacionadas à flexibilidade. Geralmente, porque o praticante não tem articulações flexíveis ou falha em alongá-los devidamente antes de executar as técnicas.

A flexibilidade é específica em cada articulação e pode ser desenvolvida em qualquer momento da vida. Por meio da compreensão adequada dessas relações é possível desenvolver um treinamento adequado para cada um

Fatores que podem afetar o potencial do grau de flexibilidade do praticante

Idade;

Sexo;

Genética;

Somatótipo;

Hora do dia;

Etnia.

Diante de todos esses fatores influenciando na flexibilidade, como devemos treinar?

Nas artes marciais, exercícios e treinos de alongamento têm sido desenvolvidos para atingir o maior potencial de flexibilidade. Seja qual for o método empregado, o alongamento excessivo pode ser produzido de vários modos, de acordo com a quantidade ou intensidade de duração do alongamento, velocidade, período, frequência e localização do exercício.

As técnicas incluem as seguintes modalidades: Facilitação Neuro Proprioceptiva (FNP), balística, passiva, ativa, estática, energia muscular, distensão e contradistensão, mobilização, manipulação articular e modalidades não tradicionais. Mas dentro de todas elas, a melhor indicação é um mestre devidamente capacitado, pensando em nível amador ou uma equipe multidisciplinar para o esporte de alto rendimento.

Alguns tipos de modalidades

Estático: envolve assumir uma pose e mantê-la, em seguida, segurando-a durante 30 segundos ou mais. Não envolve saltos ou movimentos rápidos, apenas uma sensação leve e indolor de um puxão. Você sente a tensão por todo o comprimento e no centro do músculo, mas não nas articulações.

Alongamento passivo: o alongamento passivo é semelhante ao alongamento estático, exceto que um aparelho ou um parceiro proporciona a força para esticar o músculo. Por exemplo, você pode ficar com as costas contra a parede, enquanto seu parceiro de exercícios levanta a perna para alongar o tendão. O alongamento passivo alivia espasmos musculares e ajuda a reduzir a fadiga e dores musculares depois de um treino.

Dinâmico: envolve o balanço controlado das articulações e gradualmente aumenta tanto a velocidade, quanto a distância de cada movimento. Por ir forçando os limites de distância, você usa o aquecimento dos músculos para gradual e gentilmente aumenta a distância desses movimentos.

Balístico: o praticante usa o movimento do corpo para alongar, além da zona normal de conforto. Alongamento balístico envolve balançar até o limite do seu alongamento natural e usar o peso do corpo para forçar além desse limite. Em geral, o alongamento balístico não é considerado benéfico e pode decrescer sua flexibilidade por não permitir que seus músculos alonguem ou relaxem devidamente. Isso aciona o reflexo de alongamento muscular. Realizar o alongamento balístico pode lhe tornar mais suscetível a lesões. Somente atletas altamente condicionados e competentes que se preparam para atividade extenuante devem empregá-la.

Ativo isolado: é mais usado por atletas, treinadores, massagistas e outros. Para completar o alongamento ativo isolado, você alcança uma certa posição e a mantém estável, sem qualquer outra assistência que não seja a força de seus próprios músculos. Chute uma perna para o alto, por exemplo, e mantenha-a na postura estendida. Alongamento ativo isolado trabalha com processos fisiológicos naturais para aumentar a massa muscular e elasticidade da fáscia e melhorar a circulação.

Isométrico: um músculo é esticado na posição e você resiste ao estiramento. Por exemplo, tenha um parceiro que segure sua perna para o alto, enquanto você tenta forçar o retorno de sua perna na direção oposta. Alongamento isométrico é o método mais seguro e eficaz para aumentar a gama de movimento das articulações, além de fortalecer os tendões e ligamentos, mantendo a sua flexibilidade.

Facilitação neuromuscular proprioceptiva: é uma combinação entre o alongamento isométrico, estático e passivo para promover um alto nível de flexibilidade. Realize o alongamento de um músculo passivamente, isometricamente contraia contra a resistência na posição esticada e alongue passivamente pelo aumento da amplitude do movimento. É uma forma avançada de treinamento de flexibilidade que também ajuda a melhorar a força.

Se essas informações ainda não lhe convenceram a treinar essa modalidade para melhorar sua prática marcial, leia abaixo os outros benefícios:

Previne cardiopatias e outras doenças;

Produz sensação de rejuvenescimento;

Melhora as funções respiratórias;

Retarda a aparição da fadiga e ajuda na recuperação mais rápida.

*Dr. Marcus Vinicius G. T. Azevedo.

Docente UNILUS Faculdade de Fisioterapia.

Responsável pelo Núcleo de Estudos em Fisioterapia Desportiva.

Responsável pelo setor de pesquisa científica da CBKFS.

Dr. HC em Reabilitação e Treinamento em Artes Marciais.