Chega de dor. Saiba tudo sobre lombalgia

Por Marcus Vinicius Gonçalves* | Crédito: Divulgação

Pare para pensar: em algum momento da vida você já ouviu falar em lombalgia. Mas, afinal, o que é essa dor?

A lombalgia acomete a região lombar, lombo-sacral ou sacro-ilíaca, e é uma das dores que mais afligem o ser humano. As causas podem ser multifatoriais e incluem trauma, alterações degenerativas da coluna, postura inadequada, sobrecarga local, doença inflamatória, infecciosa ou neoplásica.  

Em 80% dos casos, o diagnóstico é praticamente impossível de determinarmos.

Os problemas lombares afetam de 70 a 85% da população mundial e são umas das causas mais frequentes de encaminhamento a clínicas de Fisioterapia. Sendo que em 25% dos casos decorrem do trabalho, principal fator de afastamento. A lombalgia em funcionários acarreta um grande prejuízo financeiro e produtivo no Brasil e nos países industrializados.

Origem

A dor lombar apresenta incertezas em relação a sua causa e progressão, pois são muitas razões que levam ao aparecimento dos sintomas, algo que dificulta o diagnóstico correto. Os principais movimentos que prejudicam esses indivíduos no local de trabalho são a flexão de tronco com carga e flexão estática prolongada.

Indivíduos com dor lombar apresentam redução da força e resistência da musculatura para-espinhal, e desenvolvem um déficit de condicionamento físico que resulta em alteração na função do tronco. Em geral, as lombalgias estão associadas à falta de mobilidade no quadril e à baixa flexibilidade dos músculos isquiotibiais.

Divisões

As lombalgias podem ser divididas em mecânico-degenerativas, não mecânicas localizadas e psicossomática como repercussão de doença sistêmica.

Afinal, o que é lombalgia?

A lombalgia é descrita na literatura como uma síndrome de descondicionamento onde vários fatores se interagem, ou seja, o fenômeno da dor lombar não pode ser entendido apenas no contexto de um quadro álgico isolado. São caracterizadas em agudas, quando sua duração é inferior a 6 semanas, subagudas, com duração entre 6 e 12 semanas, e crônica quando o tempo de duração é superior a 12 semanas. A lombalgia também é caracterizada de acordo com a sua origem podendo ser de origem visceral, discal ou muscular.

As causas mecânico-degenerativas são as mais frequentes, originando em alterações estruturais, biomecânicas, vasculares ou a interação deste três fatores.

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas, muitas vezes, são causados pela perda ou excesso de movimentos intervertebrais normais, devido à uma pequena desorganização mecânica da articulação intervertebral.

As pessoas que sofrem de lombalgia queixam-se de dor com um início agudo, geralmente relacionado a algum acontecimento traumático que envolveu esforço em excesso em certa posição ou uma contusão.

Em suma, a lombalgia ocorre devido a fatores mecânicos, que resultam de posições inadequadas, repetitivas, assumidas no dia a dia, com associações a disfunções musculares. Pode comprometer a independência funcional e qualidade de vida das pessoas.

As estruturas que estão e envolvidas nas lombalgias de caráter mecânico são o disco intervertebral e a articulação interapofisária. Na fase aguda são classificadas em:

  1. Síndrome postural: decorrentes de partes móveis da coluna. Tem relação com o estiramento excessivo dos tecidos normais por um período prolongado de tempo.
  2. Síndrome da disfunção lombar: apresenta evolução rápida e piora progressiva, decorrente do estiramento excessivo de tecidos previamente encurtados.
  3. Síndrome do desarranjo lombar: ocorre em indivíduos que adotam uma má postura em um período prolongado de tempo. Geralmente, ocasiona em dor de forte intensidade.

Na lombalgia mecânica comum, a maioria dos casos se limita somente a região lombar e nádegas, sem irradiação para membros inferiores. Nesse caso, o indivíduo apresenta quadro doloroso que pode durar de dias e meses.

Algumas características da lombalgia mecânica

  1. Dor geralmente cíclica;
  2. Dor referida para região de nádegas e coxas;
  3. Rigidez matinal;
  4. Dor ao inicio dos movimentos;
  5. Dor ao realizar a flexão da coluna e muitas vezes ao retornar a posição ereta;
  6. Dor pode ser produzida ou agravada ao movimento de extensão da coluna, flexão lateral, rotação, caminhar, sentar e durante a prática de exercícios.
  7. Piora da dor com o passar das horas durante o dia;
  8. Alívio da dor com a mudança de posição;
  9. Alívio da dor ao adotar a posição fetal;

Nas lombalgias não mecânicas, geralmente há dor no membro inferior dominante, por irradiação de raiz nervosa, ocorrendo desconforto durante a marcha. O quadro álgico só melhora com repouso e sua duração pode variar de semanas a meses.

Fatores que podem desencadear a lombalgia

A lombalgia pode ser dividida em quatro categorias, sendo duas lombalgias dominantes e duas dores no membro inferior dominante. O padrão um trata-se de envolvimento discal, enquanto o padrão dois trata-se de articulação facetaria. O padrão três trata-se de envolvimento de raiz nervosa, e o padrão quatro sugere claudicação intermitente neurogênica.

Alguns fatores estão associados à presença da lombalgia, como idade, alcoolismo, peso corporal, classe social, nível de escolaridade e atividade física.

A incidência é maior em homens a partir dos 40 anos e mulheres acima de 50. Fatores psicossociais também se apresentam como fator de risco, como a insatisfação no trabalho e o tempo prolongado de horas trabalhadas.

A depressão e a ansiedade são fatores que podem prolongar o quadro doloroso. Cerca de 90% dos casos de lombalgia são resolvidos sem intervenção médica, apenas com sessões de Fisioterapia em um período de 6 a 12 meses.

Indivíduos que trabalham com grandes cargas podem desenvolver lombalgia, principalmente, no movimento de vibração combinada com levantamento de peso.

Em pessoas que não praticam atividade física, a incidência é maior de dor lombar quando comparados aos que praticam, em contrapartida, atletas de elite têm grandes tendências a desenvolver esse tipo de álgia.

A gravidez também é considerada um fator de risco. Em média, 50% das gestantes em algum momento apresentam dor lombar. O risco das gestantes em apresentar lombalgia é quase 14 vezes maior que o de mulheres não grávidas.

O conhecimento dos fatores de risco exerce grande importância para as políticas públicas que visam tomar medidas preventivas para o controle desse problema.

Tratamento

O tratamento da lombalgia pode ser conservador sem intervenção médica (Fisioterapia), com intervenção médica (medicamentos) mais Fisioterapia, ou intervenção médica invasiva (cirurgia). Nesse caso, a Fisioterapia é indicada para um melhor pós operatório. Uma das premissas do tratamento da lombalgia é a técnica de Estabilização Central

A Estabilização de Central nada mais é do que o treinamento de fortalecimento e treinamento sensório motor dos músculos responsáveis pela estabilização da coluna em posturas estáticas e dinâmicas. São músculos extremamente profundos, ou seja, não palpáveis ou visualizáveis abaixo da pele. O seu diagnóstico funcional só é possível por profissionais capacitados.

A diferença entre os músculos superficiais e profundos é de fácil compreensão. Os profundos têm responsabilidade de estabilizar o movimento e oferecer condições biomecânicas dos músculos superficiais gerarem o movimento sem que ocorram sobrecargas desnecessárias, gerando alguma patologia.
Os músculos trabalhados na Estabilização Central são os seguintes:

  • Os multífidos são pequenos músculos da coluna com função de estabilizar os movimentos do tronco, um dos mais importantes para o êxito do tratamento.
  • Transverso do abdômen. Possui formato de cinto que vai do umbigo até as vértebras lombares;
  • Oblíquo interno que auxilia o transverso do abdômen;
  • O períneo e os demais músculos do assoalho pélvicos, também solicitados durante os exercícios.
  • Diafragma, músculo importantíssimo para uma respiração adequada.

*Marcus Vinicius Gonçalves

O colunista da Revista Master é formado em Fisioterapia, especialista em Fisioterapia Traumato-Ortopédica e Fisioterapia Manipulativa, professor de Kung Fu, mestre em Clínica Médica, docente da UNILUS (Faculdade de Fisioterapia), em Santos, e responsável pelo setor de pesquisa científica da CBKFS.

Além disso, atua como fisioterapeuta na Physio Health e é Doutor Honoris Causa em Reabilitação e Treinamento Físico, e PhD em Artes Marciais, Reabilitação e Treinamento pela Erick Fromm University, EUA.