A difícil escolha de ser um sensei de Karate-Do

Por Paulo Bartolo | Crédito da foto: Divulgação

Estava lendo um texto chamado “O preço de ser quem se é”, de autor desconhecido, e imediatamente associei-o à minha vida. Aos 17 anos, tinha a convicção do que eu queria ser profissionalmente: um sensei de Karate-Do.

Agora, entre eu ter uma convicção e atender a expectativa de meus pais, da sociedade, da religião e outras crenças existia uma distância infinita. Todos vislumbram uma profissão de sucesso e retorno financeiro. Meus pais nunca me cobraram, dirigiram ou influenciaram na minha escolha. Eu poderia escolher o que quisesse. Mas você fica com uma grande responsabilidade na escolha.

Sensei Paulo Bartolo na lateral direita.

Eles me pagaram colégio particular e tive uma boa instrução. Com isso, a decisão só aumentava de importância. Fui fazer cursinho, pensando em fazer Medicina, mas quando vi que a dedicação seria grande nessa área, e que com certeza, me afastaria do Karate, decidi fazer Engenharia em uma faculdade na minha cidade, e ao mesmo tempo, abrir meu primeiro local de aula no Clube Sírio Libanês. Ao entrar na faculdade, também abri um local de treino na própria faculdade: a Santa Cecília, onde eu estudava.

Seria muito mais fácil eu aceitar os rótulos, os limites e as crenças da sociedade. Mas isso não me desafiava. Meu pai é advogado e tinha um escritório montado com uma boa carteira de clientes. Mas isso não despertava meu interesse. Formei-me em Engenharia Civil, mas logo em seguida fui fazer Educação Física, que me enriqueceria também em minha proposta de vida.

O colunista da Revista Master, sensei e escritor de livros sobre Karate, Paulo Bartolo.

Tive dificuldades grandes no caminho que escolhi, mas não me arrependo desse enfrentamento. Exerci a Engenharia por sete anos e decidi que era hora de largar para me dedicar exclusivamente ao Karate-Do, pois era meu objetivo. Uma coisa que foi muito comum ouvir era: “Por que você não trabalha de dia na sua profissão e dá aula de Karate-Do à noite?”.

Muitos não entendiam que eu já tinha escolhido a minha profissão. Eu sou um sensei de Karate-Do. Essa escolha me fez ver o Karate-Do em sua plenitude. Me fez montar meu dojo, escrever livros, criar cursos de extensão universitária e pós-graduações Lato Sensu da modalidade, viajar pelo mundo em competições e seminários, ser respeitado e conhecido na sociedade e poder contribuir com a formação de centenas de jovens que foram meus alunos.

Nada para mim pode ter mais valor do essa missão que escolhi na vida. Esse foi o experimento humano da minha vida, da minha existência. Por isso, decidi ser sensei, aquele que mostra o “Caminho” para outras pessoas. Acredite em você, invista, rompa com os paradigmas impostos pela sociedade e seja sensei com amor e determinação.

Aquilo que você faz com amor não pesa. Não vise primeiro o dinheiro, primeiro vem o trabalho e a construção de uma nova personalidade. As dificuldades lhe colocarão à prova, mas a necessidade é uma excelente professora. Ela te obriga a aprender. Seja obstinado, a obstinação é o predicado de pessoas convictas nas suas ideias e propósitos.

Escrevo este texto não só para estimular aqueles que querem ser senseis de Karate-Do, mas também a todos que queiram escolher a sua profissão, assumindo o compromisso com o próprio “eu” interior, e não com as influências externas e as regras impostas pela sociedade.