Por Confederação Brasileira de Judô | Crédito: Lara Monsores/CBJ

A judoca do Mato Grosso do Sul, Camila Yamakawa (+78 kg), foi campeã do Brasileiro Sênior, no último domingo (01), apenas três meses após dar à luz ao seu primeiro filho, o pequeno Ali, que acompanhou a mamãe no ginásio durante os dois dias de competição.  

Vice-campeã mundial júnior em 2015, a judoca viu-se obrigada a se afastar dos tatames devido à uma lesão no joelho, sofrida durante sua conquista do título do Campeonato Brasileiro Sênior de Judô de 2018. Visando realizar o sonho de ser mãe, Camila aproveitou o período que teria para se recuperar da cirurgia para planejar sua gestação e ter seu primeiro filho a tempo de participar do Brasileiro Sênior de 2019. 

Camila Yamakawa sobe ao pódio com seu filho de três meses após conquistar a medalha de ouro no Brasileiro.

A “estratégia” deu certo e a judoca de Dourados voltou aos tatames com tudo. Estreou com vitóri sobre Ágatha Silva (SP), por wazari, e passou por Istelina Silva (SE), na semifinal, com ippon. Na decisão, ela encarou Sibilla Faccholli (SP) e imobilizou a adversária paulista para conquistar a medalha de ouro do peso-pesado feminino (+78 kg).

“Meu retorno foi mais difícil do que esperava. Sofri. Tinha muita coisa na minha cabeça, achava que não ia conseguir. Não foi só voltar de uma cirurgia. Foi voltar de uma cirurgia e de uma gravidez. Quando vi que deu certo, não consegui fazer mais nada além de chorar” esclareceu Camila, que não conteve as lágrimas quando o árbitro indicou o fim da luta.

Acumulando diversos títulos nacionais na carreira desde o sub-13, além da 6ª posição no ranking nacional 2019 da categoria, a atleta conta com o apoio de familiares e companheiras de treino, do Clube Sakurá de Judô, para conciliar a rotina de atleta de alto rendimento e a maternidade. 

“Eu conto com a ajuda de muita gente. Uma pessoa sozinha é muito difícil de conciliar. Eu tenho ajuda, o pai dele é um pai presente. As mães do treino, cada dia uma cuida. Minha mãe. Minha irmã. Então, é um grupo para me fazer treinar. E também a gente tem que ser um pouco fria, porque tem horas que ele está berrando lá fora, mas eu sei que eu tenho que ter calma. Eu tenho que criar uma rotina para ele. É difícil, mas dou conta”, explicou a judoca.

Durante a competição, ela também contou com a ajuda de uma amiga para ficar com o bebê enquanto lutava. Entre um combate e outro, pausa para descansar e também amamentar. 

Além de conquistar o título nacional, Camila ajudou a colocar seu estado, o Mato Grosso do Sul, entre os melhores do país no quadro geral de medalhas da competição. Com seu ouro e com a prata conquistada por Ana Carla Grincevicus (63 kg), o Judô sul-mato-grossense ficou em terceiro na classificação geral feminina, atrás apenas de Minas Gerais (1º) e do Rio de Janeiro (2º).  

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