Gestor de alto rendimento da CBJ, Ney Wilson, detalha como foram as primeiras semanas do Judô na Missão Europa

Por Confederação Brasileira de Judô | Crédito: Alexandre Castello Branco/COB

Nesse sábado, 01, a seleção brasileira de Judô chegará ao 15º dia de concentração em Portugal, na Missão Europa, do Comitê Olímpico do Brasil. Gestor de alto rendimento da CBJ e chefe da delegação de Judô na missão, Ney Wilson Pereira, detalha abaixo como foram as primeiras impressões, os cuidados tomados e a evolução dos atletas na retomada aos treinos nos dojôs de Rio Maior e Coimbra.

Reencontros

“A grande motivação de todos quando chegaram em Rio Maior era botar quimono. Porém, um pouquinho antes disso, acho que a grande alegria foi um ver o outro, ao vivo e a cores, e poder ter contato, poder, enfim, contar as novidades. Acho que esse foi o ambiente que a gente vivenciou em toda a viagem, no aeroporto, no avião, no desembarque.” 

1ª parada: Centro de Treinamento de Rio Maior 

“Em Rio Maior tivemos que ficar 24h presos em um quarto, todo mundo, não saímos para nada, nem para comer. Isso gerou certa ansiedade nos atletas, que estavam doidos para treinar, mas o primeiro resultado dos testes que saiu foi o do Judô. Assim que tivemos o resultado, em meia hora estava todo mundo pronto, com seu quimono, para ir ao dojô. E aí a gente consegue ver aquele brilho nos olhos que estava faltando nos atletas e acho que isso marcou a primeira semana.”

Direção Coimbra: finalmente, lutar Judô 

“Depois, a gente teve o segundo momento, que foi bastante interessante também, que foi a vinda para encontrar uma equipe estrangeira, encontrar a equipe de Portugal. A expectativa também era grande. Chegamos em uma terça-feira, porém o treino de terça foi só entre a gente e aí na quarta a gente treinou, finalmente, com Portugal. E aí o que a gente percebeu é que realmente os atletas estão muito, muito fora de ritmo, faltando muito Judô, enfim, muito presos. Estavam muito duros, muito receosos de colocar golpes, de levar golpes, até de cair.

Acredito que até o final dessa semana a gente atinja o estado ideal para o treinamento, sem correr riscos de lesões. Eu acho que esse é o desafio de levar até o final da semana e aí a gente tem um intervalo, o descanso, e acredito que na terceira semana realmente os atletas vão aproveitar bastante o treinamento. Por enquanto eles estão, vamos dizer, voltando a serem atletas, adquirindo a especificidade da nossa modalidade, que é uma coisa de uma complexidade motora muito grande, e isso necessita algum tempo de adaptação.

A comissão técnica tem sido incansável na atenção aos atletas, nos detalhes que os atletas precisam. Então isso tudo tem contribuído muito. Não só com a comissão técnica que está aqui em Portugal, mas a comissão técnica que está no Brasil também, tem feito uma comunicação permanente com a gente. Então o trabalho tem sido de excelente qualidade.”

Seleção portuguesa 

“A equipe de Portugal é uma equipe em ascensão, em crescimento técnico, mesclada, que tem atletas bem experientes e tem atletas bem jovens. Nos dá uma qualidade de treino muito boa, em algumas categorias mais do que outras. Mas, o que a gente encontrou é que o fato deles estarem um pouco mais avançados é bem producente para a gente, porque eles também estão com atletas da equipe sub-21, sub-23 e, no feminino, tem até atletas da classe sub-18. Como eles estão avançados no treinamento, oferecem um treinamento bom, então a gente tem treinamento para todos os nossos atletas, aqueles atletas que têm treino duro e têm também aqueles que também precisam soltar golpe, derrubar. Então isso está oportunizando tanto no masculino, quanto no feminino, a qualidade do treino.”

França e Espanha 

“A gente teve a chegada do Loic Pietri, que é um atleta da França, também de qualidade, já foi campeão mundial, que está aqui conosco. Na próxima semana está chegando um clube da Espanha, que é um clube bem forte. E é importante que a gente vá construindo, o treino vai ficando mais forte gradativamente. Então a equipe da Espanha acaba trazendo mais qualidade para dentro do treinamento, e aí a nossa equipe vai estar em um nível já melhor para poder suportar esse treinamento.”

Objetivo final

“Vou fazer aqui uma comparação: a gente vive um momento como os bombeiros. Estamos no estado de alerta. Não sabemos quando o calendário internacional irá voltar. Então a gente tem que estar com os nossos atletas preparados para qualquer situação. Acredito que a Federação Internacional vá manter a mesma linha, fará um comunicado dois meses antes de começar. Mas, obviamente, quem começou antes, quem teve a oportunidade de trabalhar antes desses dois meses, com certeza tem uma possibilidade de chegar melhor nessas competições.

O que buscamos é colocar os nossos atletas em um padrão bom de Judô. Não dá para fazer uma periodização, porque a gente não sabe se volta em outubro, novembro, dezembro, ou ano que vem. Então a gente está nesse aguardo, porém os nossos atletas precisam ficar em prontidão, não dá para ficar em casa esperando ver o que vai acontecer. Então, eu acredito que os nossos atletas vão sair daqui após 45 dias já em um nível técnico, em um nível físico, muito mais evoluído do que chegaram e, obviamente, não podemos parar aí, a gente tem que dar continuidade.”

Pós-Missão  

“Estamos organizando, estamos trabalhando, orçando, vendo todas as possibilidades de dar continuidade, porque, pelo o que a gente tem até o momento, os clubes estão com dificuldade de realizar seus treinamentos, com as restrições em cada um dos locais, cada um dos estados, cada uma das cidades. Então a gente está programando uma continuidade quando retornarmos ao Brasil. E manter esse estado de prontidão em nossos atletas, para quando houver a sinalização da FIJ de que retornaremos. Aí sim a gente foca na competição, no foco de cada atleta, e faz o trabalho individual de refinamento de cada atleta para a competição. Mas agora é a gente tentar nivelar a seleção, colocar todo mundo em um mesmo nível, no mesmo patamar. Acredito que após 45 dias aqui esses atletas estarão nesse estado de prontidão, que é importante. Prontos para qualquer direção que seja tomada, continuidade do treinamento ou competição daqui a dois meses, os atletas estarão preparados para isso.”

Apoio do COB

“Sem a iniciativa do COB para realizar essa Missão Europa, a gente não teria condições de estar aqui. Foi um nível de exigência de documentos para poder entrar aqui que o COB teve a parceria com o Comitê Olímpico Português, com o governo português, de solucionar esse problema burocrático para que tivesse a nossa entrada. O COB foi bastante cuidadoso em todas suas medidas protocolares para que a gente chegasse com segurança. O centro de treinamento de Rio Maior é realmente espetacular. Deixo nossos agradecimentos totais ao COB, através do presidente Paulo Wanderley, o Rogério Sampaio, o Jorge Bichara, o Sebástian Pereira, a Joyce Ardies, toda a equipe que está aqui e toda a equipe médica do COB que também foi bastante cuidadosa no diálogo com a equipe da CBJ.”

CBJ e FPJ 

“A Federação Portuguesa realmente estruturou o treinamento para que a gente pudesse treinar com eles, porque isso é bom para eles e é bom para a gente. O masculino e o feminino treinam no mesmo horário em dojôs diferentes, um longe do outro, então isso também facilita muito – o deslocamento, essas coisas todas. A gente tem um ginásio de treinamento de força ou de treinamento aeróbico excelente, que suporta bem os atletas mais pesados.

A conjunção dessas instituições, Comitê Olímpico do Brasil, Federação Portuguesa de Judô e a Confederação Brasileira de Judô, essa triangulação foi perfeita. Não poderíamos ter um ambiente melhor de treinamento do que hoje está sendo oferecido aos nossos atletas. Os atletas têm demonstrado isso espontaneamente, falando com a gente, nas redes sociais, enfim. Eles espontaneamente têm manifestado o quanto eles estão satisfeitos e felizes com essa possibilidade que o COB, a Federação Portuguesa de Judô e a Confederação Brasileira de Judô permitiram nesse treinamento.”  

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