Por Confederação Brasileira de Judô | Crédito: CBJ

 

Para Geraldo Bernardes, o Judô é o caminho. Depois de deixar o comando da seleção brasileira, o treinador precisou recomeçar.

Em parceria com academia Body Planet, criou um projeto social próximo à Cidade de Deus, uma das favelas mais conhecidas do Rio de Janeiro, em 2000, logo após se submeter a uma cirurgia cardíaca e ter que colocar duas pontes de mamária e quatro de safena.

Atleta e técnico consagrado, o “novo” Geraldo passou a revelar novos talentos entre crianças e adolescentes de escolas públicas da zona oeste da Cidade Maravilhosa. Entre elas, Rafaela Silva, primeira campeã mundial de Judô do Brasil.

“Entre colocar o pijama ou ajeitar o quimono e recomeçar, escolhi a segunda opção. Conquistas esportivas são como páginas viradas, glórias passageiras. Fiz uma boa carreira como atleta e, como técnico, ajudei na conquista de seis medalhas olímpicas, mas tudo ficou pequeno diante do que faço hoje, que é transformar pessoas como Rafaela, que tinha poucas perspectivas, em campeãs no esporte e na vida”, disse o kodansha 8º dan, que esteve nos Jogos de Seul 88, Barcelona 92, Atlanta 96 e Sidney 2000.

Tendo orientado Aurélio Miguel, Rogério Sampaio, Henrique Guimarães, Carlos Honorato e Tiago Camilo, Bernardes precisou recomeçar depois dos Jogos na Oceania. O Judô Comunitário Geraldo Bernardes Body Planet três anos depois de sua fundação já era bicampeão carioca nas categorias de base.

“Ouvi pessoas dizendo que eu estava por baixo, com os “pobrinhos”. Mas sempre acreditei nos atletas que vêm de comunidades. Esporte de alto rendimento é sacrifício. E eles estão acostumados a dar tudo de si”, afirmou.

O projeto de Geraldo acabou se fundindo com o de seu pupilo Flávio Canto, medalhista de bronze nos Jogos de Atenas, e formou o Judô Comunitário Instituto Reação. Hoje, com cinco polos e 1.250 alunos.  
 

Trajetória

Geraldo começou no "Caminho Suave" aos 15 anos. Foi professor da equipe de Judô da Universidade Gama Filho e, em 1979, atuou como técnico da seleção pela primeira vez. Questões políticas na confederação, no entanto, só permitiram que ele debutasse nas Olimpíadas em Seul, em 1988, competição em que Aurélio Miguel foi o primeiro medalhista de ouro do Judô brasileiro.

E foi essa rica história que o mestre contou na quinta-feira, 14 de janeiro, para os mais de 20 atletas de base ou recém-saídos do Sub-21 que estão participando do Treinamento de Campo Internacional em Pindamonhangaba no interior de São Paulo. Para os alunos/judocas foi uma experiência marcante.

“Ele trouxe muitas coisas práticas, do dia a dia, a experiência dele. Foi uma grande motivação para nós”, disse a leve Giovanna Pernoncini.

“Gostei muito, porque o professor Geraldo fala a língua do atleta. Saí de lá muito motivado com as histórias que contou de atletas como Aurélio Miguel, Flávio Canto e Rafaela Silva, de como eles nunca desistiam e como se dedicavam nos treinos”, disse o pesado João Cesarino.